Stefansson, o explorador ártico que desafiou as convenções alimentares do século XX, permanece uma figura fascinante na história da nutrição e da exploração polar. Nascido em 1879 no Canadá, de pais islandeses, Vilhjalmur Stefansson dedicou sua vida a desvendar os mistérios do Ártico, vivendo entre os povos indígenas e adotando seus hábitos para sobreviver em condições extremas. Sua jornada não se limitou a mapas e descobertas geográficas; ela se estendeu ao campo da saúde humana, culminando em um experimento radical que questionou tudo o que se sabia sobre dietas equilibradas. Neste artigo, exploramos a vida de Stefansson, sua interação profunda com os inuits, o famoso experimento de dieta exclusivamente à base de carne e as razões científicas por trás de seus resultados surpreendentes. Além disso, discutimos outras experiências semelhantes e o legado duradouro de Stefansson na nutrição moderna. Com base em fontes acadêmicas e relatos históricos confiáveis, esta narrativa busca oferecer uma visão completa e autorizada, destacando como as lições de Stefansson continuam relevantes em debates atuais sobre saúde e alimentação.
Biografia inicial de Stefansson
Vilhjalmur Stefansson nasceu em 3 de novembro de 1879, em Arnes, Manitoba, no Canadá, filho de imigrantes islandeses que fugiram de uma erupção vulcânica em sua terra natal. Sua família se mudou para Dakota do Norte, nos Estados Unidos, quando ele era ainda uma criança, e foi lá que Stefansson cresceu em um ambiente rural, influenciado pela herança nórdica de explorações marítimas e aventuras. De acordo com fontes biográficas, como a Encyclopaedia Britannica e registros históricos da University of North Dakota, Stefansson ingressou na Universidade de Dakota do Norte em 1898, onde inicialmente considerou seguir uma carreira eclesiástica, influenciado por sua formação cultural islandesa e pela comunidade religiosa em que cresceu. Na época, era comum que jovens de famílias imigrantes nórdicas, como a de Stefansson, fossem incentivados a estudar teologia, especialmente em contextos protestantes ou luteranos, que valorizavam o clero como uma profissão respeitável. No entanto, ele abandonou esse caminho ao desenvolver um interesse maior por ciências humanas, particularmente antropologia, durante seus estudos em Harvard, onde foi orientado por Franz Boas.
Sua primeira expedição ao Ártico ocorreu em 1906, como parte da Expedição Anglo-Americana ao Polo, onde ele começou a aprender sobre as culturas indígenas. Ele se destacou por sua abordagem etnológica, vivendo imerso nas comunidades locais em vez de se isolar como muitos exploradores europeus faziam. Essa imersão não só o ajudou a sobreviver, mas também moldou sua visão de mundo, levando-o a questionar dogmas ocidentais sobre sobrevivência e nutrição. Ao longo de sua carreira, Stefansson escreveu mais de 20 livros, incluindo “My Life with the Eskimo” (1913) e “The Friendly Arctic” (1921), que popularizaram suas ideias sobre o Ártico como um lugar “amigável” quando se adota as práticas certas.
Sua autoridade no assunto é atestada por instituições como a Britannica, que o descreve como um explorador que mapeou vastas áreas do Ártico canadense.

A vida de Stefansson e sua história com os inuits
A interação de Stefansson com os inuits marcou um capítulo pivotal em sua vida. Entre 1906 e 1918, ele participou de três grandes expedições ao Ártico: a Expedição Anglo-Americana (1906-1908), a Expedição Stefansson-Anderson (1908-1912) e a Expedição Ártica Canadense (1913-1918). Nessas jornadas, Stefansson passou anos vivendo com os inuits do Delta do Mackenzie e outras regiões, aprendendo sua língua, caçando com eles e adotando suas técnicas de sobrevivência. Ele observou que os inuits prosperavam em um ambiente hostil sem acesso a vegetais ou grãos, dependendo quase exclusivamente de carne e gordura de animais como focas, peixes e caribus.
Stefansson descreveu os inuits como um povo saudável e resiliente, livre de doenças comuns no Ocidente, como escorbuto e obesidade. Ele aprendeu a construir iglus, usar peles para vestimenta e, crucialmente, a se alimentar de forma semelhante. Em sua Expedição Ártica Canadense, financiada pelo governo canadense, Stefansson descobriu novas ilhas e mapeou territórios desconhecidos, mas o que mais chamou atenção foi sua adoção da “dieta inuit”. Ele argumentava que o Ártico não era um deserto congelado, mas uma terra fértil para quem soubesse explorá-la, contrariando narrativas de sofrimento e fome de expedições anteriores. Sua convivência com os inuits o levou a defender que o conhecimento indígena era superior em muitos aspectos à ciência ocidental da época.
Relatos de Dartmouth College destacam como Stefansson integrou-se à cultura inuit, aprendendo técnicas de caça e linguagem para sobreviver por meses sem suprimentos externos.
Essa fase de sua vida não foi isenta de controvérsias. Durante a Expedição de 1913, o navio Karluk ficou preso no gelo, levando à morte de vários membros da equipe. Stefansson foi criticado por abandonar o grupo para caçar, mas defendeu que sua decisão salvou vidas ao buscar ajuda. Apesar das polêmicas, sua experiência com os inuits solidificou sua crença na viabilidade de uma dieta baseada em carne, preparando o terreno para seu experimento posterior.
Descoberta da dieta dos inuits
Enquanto vivia com os inuits, Stefansson observou que sua dieta consistia principalmente em carne crua ou cozida, gordura animal e órgãos internos, sem frutas, vegetais ou carboidratos. Inicialmente, ele sofreu com o que chamou de “fome de proteína”, mas aprendeu que o segredo era equilibrar carne magra com gordura abundante. Os inuits consumiam até 80% de suas calorias de gordura, o que prevenia deficiências nutricionais. Stefansson notou a ausência de escorbuto, uma doença associada à falta de vitamina C, e atribuiu isso ao consumo de carne fresca e fígado cru, ricos em nutrientes.
Essa descoberta desafiou as crenças médicas da época, que enfatizavam uma dieta “equilibrada” com vegetais e grãos. Stefansson argumentou que os inuits eram prova viva de que humanos podiam prosperar sem plantas, graças à densidade nutricional da carne animal. Seus relatos em livros como “The Friendly Arctic” detalham como ele adotou essa dieta por necessidade, mas acabou se sentindo mais vigoroso e saudável do que nunca.
Estudos etnográficos posteriores confirmam que dietas inuits tradicionais eram ricas em ômega-3 de peixes e gorduras saturadas, contribuindo para baixa incidência de doenças cardíacas.
Seu experimento alimentar
Em 1928, Stefansson, junto com seu companheiro de expedição Karsten Andersen, submeteu-se a um experimento supervisionado no Hospital Bellevue, em Nova York, para provar que uma dieta exclusivamente de carne era sustentável e saudável. O estudo, patrocinado pela Associação Americana de Carne e supervisionado por médicos como Eugene DuBois e Clarence Lieb, durou um ano inteiro. Stefansson e Andersen consumiram apenas carne, incluindo cortes magros, gordurosos, órgãos como fígado, cérebro e medula, e ocasionalmente peixe. A ingestão calórica variava de 2.000 a 3.100 calorias por dia, com cerca de 80% provenientes de gordura e 20% de proteína.
O experimento começou com uma fase de adaptação, onde ambos perderam peso devido à transição para um estado de cetose, mas recuperaram rapidamente. Stefansson enfatizou a importância da gordura: em um teste deliberado, quando consumiram apenas carne magra, desenvolveram sintomas de “fome de coelho” (diarreia e fraqueza), que desapareceram ao reintroduzir gordura. Exames regulares monitoraram pressão arterial, função renal, níveis de colesterol e vitalidade geral. Ao final, ambos estavam em excelente saúde, sem sinais de deficiências vitamínicas ou doenças.
Detalhes do estudo, publicados no Journal of the American Medical Association, revelam que Stefansson consumiu em média 100-140 gramas de proteína e 200-300 gramas de gordura diariamente, sem carboidratos.
O protocolo incluía análises laboratoriais frequentes, testes de tolerância à glicose e observações clínicas. Andersen, que começou o experimento em casa antes de se juntar a Stefansson no hospital, relatou aumento de energia e ausência de resfriados. O experimento foi rigoroso, com dietas preparadas sob supervisão para evitar contaminações, e provou que humanos podiam viver sem vegetais por longos períodos.
Por que essa dieta resultou em uma ótima saúde
A saúde excepcional de Stefansson durante o experimento pode ser explicada por mecanismos científicos agora melhor compreendidos. Primeiramente, a dieta rica em gordura induziu cetose, um estado metabólico onde o corpo queima gordura para energia, produzindo cetonas que suprimem apetite e estabilizam níveis de açúcar no sangue. Isso explica a perda inicial de peso e a manutenção de energia sem carboidratos.
Nutricionalmente, a carne fornece todos os aminoácidos essenciais, vitaminas do complexo B, zinco, ferro e selênio em formas altamente biodisponíveis. O fígado, consumido regularmente, é fonte de vitamina A, C (em carne fresca) e K2, prevenindo deficiências. Estudos mostram que gorduras saturadas de fontes animais não elevam necessariamente o risco cardíaco quando equilibradas, e os inuits tinham baixos níveis de inflamação devido a ômega-3 de peixes.
Exames revelaram que a pressão arterial de Stefansson permaneceu normal, e sua função renal melhorou, contrariando expectativas de danos por alto consumo de proteína.
Além disso, a ausência de carboidratos refinados evitou picos de insulina, reduzindo risco de diabetes. A dieta promoveu saciedade, facilitando controle de peso, e fortaleceu o sistema imunológico, como evidenciado pela resistência a infecções. Pesquisas modernas em cetogênica corroboram que tal dieta pode melhorar marcadores de saúde em indivíduos adaptados, explicando por que Stefansson se sentiu “mais vigoroso” e ambicioso.
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Críticas e controvérsias
Apesar dos resultados positivos, o experimento de Stefansson enfrentou críticas. Médicos da época, como L.H. Newburgh, argumentaram que não era uma dieta “puramente de carne”, pois incluía muita gordura, e questionaram sua sustentabilidade a longo prazo.
Críticos apontaram potenciais riscos como deficiências em fibras e antioxidantes de plantas, levando a problemas intestinais ou câncer. Stefansson foi acusado de viés, dado seu apoio à indústria da carne, mas defendeu que seus anos com inuits provavam a viabilidade.
Controvérsias também surgiram de suas expedições, onde decisões levaram a perdas humanas, manchando sua reputação. No entanto, fontes acadêmicas como o Manitoba Historical Society destacam sua contribuição à etnologia, apesar das polêmicas.
Outras experiências do mesmo tipo
O experimento de Stefansson inspirou estudos semelhantes. Em 1930, Clarence Lieb publicou resultados confirmando tolerância à glicose normal em dietas de carne.
Mais recentemente, a dieta carnívora ganhou popularidade com figuras como Shawn Baker, que relatam melhorias em saúde autoimune sem evidências clínicas robustas. Um estudo de 2020 na PMC comparou dietas plant-based a base de carne, encontrando benefícios em ambas, mas com carne promovendo mais saciedade.
Experimentos como o de gêmeos idênticos em 2023, um vegano e outro carnívoro, mostraram perdas de peso semelhantes, mas melhor composição corporal no carnívoro.
A dieta cetogênica, similar, é usada em epilepsia e diabetes, com meta-análises confirmando eficácia.
No entanto, especialistas alertam para riscos em populações não adaptadas.
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Impacto na nutrição moderna
O legado de Stefansson influenciou debates sobre low-carb e paleo. Sua ênfase em gordura animal antecipou pesquisas sobre cetose terapêutica. Hoje, dietas carnívoras são exploradas para condições como artrite e depressão, com estudos preliminares sugerindo benefícios.
No entanto, agências como a WHO recomendam equilíbrio, citando riscos de câncer colorretal em excessos de carne processada.
Stefansson promoveu o Ártico como habitável, influenciando políticas canadenses e pesquisas climáticas atuais.
Conclusão
Stefansson, o visionário que transformou adversidade em inovação, nos ensina que a saúde humana é adaptável e que tradições indígenas oferecem lições valiosas. Seu experimento demonstrou que uma dieta de carne pode sustentar ótima saúde, graças a nutrientes completos e cetose. Embora controverso, seu trabalho pavimentou caminhos para nutrição personalizada. Em um mundo de dietas extremas, as ideias de Stefansson convidam à reflexão: o que realmente precisamos para prosperar?
Fontes:
- Vilhjalmur Stefansson – Wikipedia: https://en.wikipedia.org/wiki/Vilhjalmur_Stefansson
- Vilhjalmur Stefansson | Arctic, Explorer, Adventurer – Britannica: https://www.britannica.com/biography/Vilhjalmur_Stefansson
- THE EFFECTS OF AN EXCLUSIVE, LONG-CONTINUED MEAT DIET – JAMA: https://jamanetwork.com/journals/jama/fullarticle/241588
- The Arctic Explorer Who Pushed an All-Meat Diet – Atlas Obscura: https://www.atlasobscura.com/articles/all-meat-diet
- FIND MEAT DIET AIDS DISEASE RESISTANCE – The New York Times: https://www.nytimes.com/1929/07/10/archives/find-meat-diet-aids-disease-resistance-stefansson-and-andersen-show.html
- The Effects On Human Beings Of A Twelve Months’ Exclusive Meat Diet – Gwern: https://gwern.net/doc/biology/1929-lieb.pdf
- The Effect of the Prolonged Use of Exclusive Meat Diets on Two Men – ScienceDirect: https://www.sciencedirect.com/science/article/pii/S0002822321357959
- Vilhjálmur Stefánsson and the Fat of the Land – Price-Pottenger: https://price-pottenger.org/journal_article/vilhjalmur-stefansson-and-the-fat-of-the-land/
- The History of All-Meat Diets – Diagnosis Diet: https://www.diagnosisdiet.com/full-article/all-meat-diets
- A randomized crossover trial on the effect of plant-based compared with animal-based meat on trimethylamine-N-oxide and cardiovascular disease risk factors – PMC: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC7657338/
- Assessing the Nutrient Composition of a Carnivore Diet – PMC: https://pmc.ncbi.nlm.nih.gov/articles/PMC11722875/
- Stef: A Biography of Vilhjalmur Stefansson – University of Calgary: https://journalhosting.ucalgary.ca/index.php/arctic/article/download/65062/48976/185017
- The legacy of Vilhjalmur Stefansson – The Arctic Is: http://www.thearctic.is/articles/topics/legacystefansson/enska/index.htm





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