Baseado na profunda filosofia de vida contida no livro “12 regras para a vida: um antídoto para o caos”, do aclamado psicólogo clínico e professor Jordan Peterson, este artigo mergulha na regra fundamental que propõe uma reorientação radical da bússola moral e psicológica do indivíduo. A máxima “compare-se com quem você foi ontem, não com outra pessoa”, não é um mero clichê de autoajuda, mas sim um convite à responsabilidade individual e à busca incessante por um significado autêntico. A filosofia de Jordan Peterson sugere que a paz e o progresso duradouros não são encontrados na vitória sobre os outros, mas sim na superação constante do próprio eu de ontem.
O dilema da comparação na era global
A condição humana sempre foi marcada pela necessidade de hierarquia e comparação. Em tempos passados, quando a vida se desenrolava em comunidades menores e mais isoladas, os padrões de excelência eram locais e, portanto, mais acessíveis. O indivíduo poderia se destacar em seu domínio, alcançando uma posição de reconhecimento que trazia consigo a confiança e a estabilidade psicológica associadas ao sucesso. Essa estrutura social permitia que um número maior de pessoas experimentasse a sensação de ser “o melhor” em algo, dentro de seu círculo limitado.
No entanto, a modernidade, impulsionada pela urbanização e, mais drasticamente, pela conectividade digital, transformou as hierarquias de realização em estruturas de verticalidade vertiginosa. Hoje, não estamos mais competindo apenas com os vizinhos, mas sim com os sete bilhões de habitantes do planeta. Não importa o quão competente você seja em uma determinada área, o universo digital garante que você será exposto a alguém que é inquestionavelmente superior. O músico talentoso é confrontado com os gênios atemporais da história; o chef habilidoso é ofuscado pelos mestres da gastronomia . Essa exposição incessante a um padrão de excelência global e inatingível cria um ambiente psicológico onde a mediocridade parece ser a condição padrão.
O crítico interno
É nesse contexto que surge o crítico interno, uma voz incessante e, muitas vezes, destrutiva, que habita a mente humana. Essa voz é pré-programada para expor as falhas, condenar os esforços medíocres e apontar a inutilidade da luta. O crítico interno utiliza a comparação global como sua principal arma, selecionando o indivíduo mais extraordinário em um domínio arbitrário e opondo-o ao nosso eu imperfeito. O pior aspecto dessa crítica é que ela contém um grão de verdade: os padrões são necessários.
A voz crítica não é totalmente infundada, pois a qualidade e a competência importam. Músicas ruins atormentam, edifícios mal projetados caem, e o fracasso em manter padrões tem consequências reais e desagradáveis. A sociedade não é igual em habilidades ou resultados, e uma pequena fração da população é responsável pela maior parte da produção e inovação. Estar na base dessa hierarquia é, de fato, um lugar onde a infelicidade, a doença e a falta de reconhecimento prosperam.
A vida, vista por essa lente, pode parecer um jogo de soma zero, onde a inutilidade é a condição padrão. É por isso que algumas escolas de psicologia social, em um ato de pessimismo profundo, chegaram a recomendar as “ilusões positivas” como o único caminho para a saúde mental. A crença subjacente é que a realidade é tão terrível que apenas uma mentira deliberada pode servir de guarda-chuva protetor. A filosofia de Jordan Peterson, no entanto, rejeita essa abordagem. Ela propõe que, se as cartas parecem sempre contra você, talvez o jogo que você está jogando esteja armado, e a solução não é a ilusão, mas sim uma reavaliação radical do próprio jogo.
A necessidade de padrões e o risco da mediocridade
A ideia de que não existe “melhor” ou “pior” é uma contradição em termos. Se você escolhe fazer algo, essa escolha implica um julgamento de valor: o que você está fazendo agora é, de alguma forma, superior às alternativas que você rejeitou. Os julgamentos de valor são a precondição para a ação. Sem eles, não haveria motivação, e o significado se dissolveria.
Toda atividade humana, uma vez escolhida, carrega consigo seus próprios padrões internos de realização. Se algo pode ser feito, pode ser feito com maior ou menor eficiência, elegância e sucesso. A diferença entre o melhor e o pior é onipresente, e é essa diferença que confere significado à luta. Se não houvesse a possibilidade de melhoria, não valeria a pena fazer nada. O significado, em sua essência, exige a distinção entre o que é superior e o que é inferior.
O problema, portanto, não está na existência de padrões, mas na forma como o crítico interno os utiliza. A voz depreciativa da autoconsciência frequentemente opera com uma lógica aparentemente impecável, mas falha. Ela assume que o fracasso é a condição padrão e que a única forma de escapar é a excelência absoluta em um único domínio.
A filosofia de Jordan Peterson desafia essa lógica ao questionar a premissa de que a única alternativa à mediocridade é a ilusão. A ilusão é uma forma de cegueira deliberada que protege temporariamente, mas não resolve o problema fundamental. A alternativa proposta é a honestidade radical e a redefinição do campo de batalha. Se a voz crítica diz as mesmas coisas depreciativas sobre todos, independentemente de seu sucesso, qual é o seu nível de confiabilidade? O niilismo, que se manifesta no clichê de que “em um milhão de anos, nada fará diferença”, é um truque barato da mente racional para justificar a inação. A resposta não é que tudo é sem sentido, mas que a escolha de se tornar irrelevante não é uma crítica profunda ao Ser, mas uma fuga da responsabilidade.
O verdadeiro antídoto para o criticismo devastador não é a negação da realidade, mas a aceitação da responsabilidade de encontrar um jogo que valha a pena ser jogado. O jogo que você está jogando pode estar armado, mas você tem o poder de mudá-lo.
Desconstruindo o sucesso e o fracasso binário
O erro fundamental que alimenta o crítico interno é a generalização excessiva, a simplificação binária do sucesso e do fracasso. A linguagem, muitas vezes, nos aprisiona nessa dicotomia: ou você é um “sucesso” abrangente e singularmente bom, ou é um “fracasso” irremissivelmente ruim. Em um mundo de complexidade infinita, essa generalização é um sinal de análise ingênua ou, pior, malévola. Ela destrói os graus e as gradações vitais que compõem a experiência humana.
A realidade é que não existe apenas um jogo para vencer ou fracassar. Existem muitos jogos, e, mais importante, muitos “jogos bons”. Um jogo bom é aquele que se alinha com seus talentos únicos, que o engaja produtivamente com os outros e que se aperfeiçoa ao longo do tempo. Ser um advogado, um encanador, um médico, um carpinteiro ou um professor de colégio são todos jogos bons. O mundo permite uma multiplicidade de formas para o Ser. Se você não prospera em um, pode tentar outro. Você pode escolher algo mais compatível com sua combinação única de forças, fraquezas e circunstâncias.
A filosofia de Jordan Peterson sugere que, se mudar de jogo não for suficiente, você pode inventar um jogo novo. A originalidade e a adaptação são formas de vitória. Além disso, é improvável que você esteja jogando apenas um jogo. Você tem uma carreira, relacionamentos, projetos pessoais, desafios artísticos e objetivos de saúde. O sucesso deve ser julgado levando em conta todos os jogos em que você está envolvido. É perfeitamente aceitável ser excelente em alguns, mediano em outros e terrível no restante.
A crença de que “eu deveria ganhar em tudo” é uma armadilha. Ganhar em tudo pode significar apenas que você está evitando fazer qualquer coisa nova ou difícil. Você pode vencer, mas não crescer. E o crescimento pode ser a forma mais importante de vitória. A vitória no presente nem sempre deve ter precedência sobre a trajetória ao longo do tempo. O progresso, a evolução do seu Ser, é o verdadeiro indicador de sucesso.
A comparação com os outros torna-se inapropriada quando se reconhece a especificidade dos jogos que você está jogando. Suas circunstâncias são tão únicas, tão individuais, que a comparação externa é uma distração. O crítico interno, ao usar a comparação, comete uma falácia tripla: primeiro, seleciona um domínio arbitrário e singular (como fama ou poder); segundo, age como se esse domínio fosse o único relevante; e terceiro, compara você desfavoravelmente a alguém extraordinário dentro daquele domínio. Essa abordagem mina a motivação e justifica o ressentimento.
Há uma utilidade real na gratidão. Ela serve como uma proteção contra a vitimização e o ressentimento. Ao valorizar demais o que não se tem e desvalorizar o que se tem, o indivíduo se condena à infelicidade. A vida de uma celebridade admirada, por exemplo, pode ser repleta de problemas ocultos que a tornam menos preferível à sua própria vida estável e autêntica. Dificultar demais a autoavaliação é um problema tão grande quanto facilitá-la.
O conhecimento de si mesmo como precondição para a mudança
Quando somos jovens, a comparação com os outros é necessária porque ainda não desenvolvemos padrões próprios. Os padrões são essenciais para a ação, e na ausência de padrões internos, devemos adotar os externos. No entanto, à medida que amadurecemos, tornamo-nos cada vez mais individualizados e únicos. As condições de nossa vida se tornam cada vez mais pessoais e menos comparáveis às dos outros.
Simbolicamente, isso significa que devemos deixar a “casa governada pelo pai” — a estrutura de valores e regras impostas pela cultura e pela família — e confrontar o caos do nosso Ser individual. O desafio é redescobrir os valores da cultura, resgatá-los do passado e integrá-los em nossa própria vida, dando significado total e necessário à nossa existência.
O autoconhecimento é o ponto de partida. Quem é você? Você não é nem seu próprio mestre, nem seu próprio escravo. Você não pode simplesmente ordenar a si mesmo o que fazer e esperar obediência. Você tem uma natureza, e essa natureza se manifesta em seus interesses e aversões. Algumas atividades sempre o engajarão, e outras, simplesmente não. Você pode tentar forçar a si mesmo, mas a natureza se rebelará.
A negociação interna é crucial. Quão energicamente você consegue forçar a si mesmo a trabalhar e manter seu desejo de trabalhar? Quanto você consegue sacrificar antes que a generosidade se transforme em ressentimento? O que você ama, de verdade? O que você quer, genuinamente? Antes de articular seus próprios padrões de valor, você deve se ver como um estranho e, então, se conhecer.
Você precisa determinar a natureza de sua obrigação moral consigo mesmo. Isso não é apenas uma questão do que os outros exigem de você, mas do que você precisa para ser um indivíduo funcional e produtivo. Se você se trata como um tirano, tendo a si mesmo como escravo, você se sacrificará na labuta diária e descontará a frustração em seu ambiente. A alternativa é aprender a instigar a si mesmo a se engajar em uma atividade sustentável e produtiva.
A filosofia de Jordan Peterson encoraja a ousadia. Ouse ser perigoso. Ouse ser verdadeiro. Ouse articular a si mesmo e expressar o que realmente justificaria sua vida. Se você permitir que seus desejos obscuros e inconfessáveis se manifestem — se estiver disposto a considerá-los —, pode descobrir que eles não são tão obscuros assim à luz do dia. O medo de ser quem você realmente é pode levá-lo a fingir ser moral, quando na verdade está apenas sendo temeroso. O autoconhecimento honesto impede que você seja tentado a se desviar, pois você estará buscando o que realmente deseja.
O papel do ressentimento e a busca pela verdade
O ressentimento é uma emoção reveladora, apesar de sua patologia. Ele faz parte de uma tríade do mal, a “Trindade do Submundo”: arrogância, falsidade e ressentimento. Nada causa mais danos do que essa trindade. No entanto, o ressentimento sempre significa uma de duas coisas: ou a pessoa ressentida é imatura e deve calar a boca, parar de se lamentar e seguir em frente; ou há uma tirania em progresso, e nesse caso, a pessoa subjugada tem uma obrigação moral de não se calar.
A consequência do silêncio é pior. É mais fácil, no momento, ficar quieto e evitar o conflito, mas a longo prazo, isso é mortal. Quando você tem algo a dizer, o segredo é uma mentira, e a tirania se alimenta de mentiras. O ressentimento surge quando sua vida está sendo envenenada e sua imaginação se inunda de desejo de vingança. É um sinal de que você está tolerando ou fingindo gostar de deveres e obrigações que o estão destruindo.
Consultar o ressentimento é um ato de autoconhecimento. O que você precisa obter das pessoas? O que você está tolerando? A opressão deve ser rechaçada, apesar do perigo, quando o custo de não fazê-lo é a destruição de sua alma. A filosofia de Jordan Peterson sugere que, muitas vezes, o que se manifesta como um comportamento obsessivo ou destrutivo é, na verdade, um desejo reprimido de controle ou de confronto.
A verdade é o caminho para a paz. O que você faz para evitar o conflito, por mais necessário que ele possa ser? Sobre o que você está mentindo, presumindo que a verdade possa ser insuportável? Sobre o que você está fingindo? A transição da dependência infantil para a responsabilidade individual exige que o indivíduo se afaste da proteção dos pais e confronte o mundo. O adolescente bem-sucedido deve levar esse processo adiante, assumindo a responsabilidade de ser um indivíduo autônomo.
A prática da comparação interna: o ontem vs o hoje
A regra central de Jordan Peterson — compare-se com quem você foi ontem, não com outra pessoa — é a síntese de toda essa filosofia. Ela oferece um caminho prático para a ação e para a superação do crítico interno.
A comparação externa é destrutiva porque o mundo é vasto e complexo demais. Sempre haverá alguém melhor, mais rico, mais talentoso ou mais bem-sucedido em algum domínio. Essa comparação leva inevitavelmente ao ressentimento, à inveja e à paralisia. O indivíduo se sente esmagado pela distância intransponível entre seu estado atual e o pico da excelência global.
A comparação interna, por outro lado, é construtiva. Ela estabelece um padrão de excelência que é justo e atingível: o seu próprio eu de ontem. O objetivo não é a perfeição, mas a melhoria incremental. O foco é no que está sob seu controle. Você não pode controlar o sucesso dos outros, mas pode controlar o seu próprio esforço e a sua própria atenção.
Comece com algo pequeno
A prática começa com a identificação de algo pequeno que você poderia melhorar. Não é necessário reformar toda a sua vida de uma vez. A transformação do Ser ocorre através da atenção e da ação correta, focada em um ponto. Onde você está tropeçando? O que você está negligenciando? O que você poderia fazer hoje que tornaria o seu eu de amanhã ligeiramente melhor do que o seu eu de hoje?
Ao estabelecer metas incrementais e realistas, você transforma a visão de mundo de um campo de batalha esmagador para um laboratório de autodescoberta. Cada pequena vitória sobre o eu de ontem é uma injeção de confiança e significado. É a trajetória, e não o estado atual, que define o sucesso. O crescimento é a forma mais importante de ganhar.
Essa prática é a manifestação da responsabilidade individual. Em vez de culpar o mundo, a sociedade ou a injustiça da vida, você assume a responsabilidade por sua própria melhoria. Você se torna o seu próprio ponto de referência, o seu próprio padrão de excelência. A paz que advém dessa integridade é o antídoto final para o caos e o sofrimento.
A visão de mundo se torna uma ferramenta de navegação. Ao focar na melhoria do seu próprio micro-mundo, você contribui para a melhoria do macro-mundo. A filosofia de Jordan Peterson sugere que o indivíduo que coloca sua própria casa em ordem, que se torna um ser humano mais íntegro e competente, é o indivíduo que pode, então, enfrentar o caos do mundo com coragem e eficácia.
Conclusão
A regra de Jordan Peterson para a vida, “compare-se com quem você foi ontem, não com outra pessoa”, é uma filosofia de profundo significado e responsabilidade. Ela nos liberta da tirania da comparação social, que é inerentemente destrutiva na era da conectividade global. Ao invés de nos condenar à mediocridade por não sermos os melhores do mundo, ela nos convida a um jogo onde a vitória é sempre possível: a superação do nosso próprio passado.
A jornada para a integridade e o significado passa pelo autoconhecimento honesto, pela desconstrução das simplificações binárias de sucesso e fracasso, e pela coragem de confrontar a verdade, mesmo que ela seja desconfortável. O ressentimento é a bússola que aponta para a tirania, seja ela externa ou interna, e a verdade é o único caminho para a liberdade.
A essência da mensagem de Jordan Peterson é um chamado à ação: assuma a responsabilidade por sua própria melhoria. Não se contente com ilusões positivas ou com a fuga niilista. O mundo exige que você se torne o indivíduo mais forte e mais íntegro que você pode ser. Ao focar na melhoria incremental do seu próprio Ser, você não apenas encontra a paz interior, mas também se torna uma força positiva e competente no mundo. A verdadeira medida do seu valor não está no quão alto você está na hierarquia social, mas no quão longe você viajou do ponto onde começou. Comece hoje, com algo pequeno, e compare-se apenas com quem você foi ontem.
A psicologia da comparação global, portanto, não é apenas uma questão de autoestima ferida; é uma crise de significado. Ao nos compararmos com os picos de excelência global, o crítico interno não apenas nos desvaloriza, mas também nos paralisa. A distância entre o nosso eu imperfeito e o ideal inatingível é tão vasta que qualquer esforço parece fútil. Esse estado de paralisia e autocompaixão é o preço que se paga por aceitar a premissa de que o único valor reside no topo da hierarquia. A rejeição dessa premissa é o primeiro passo para a recuperação da estima e do crescimento individual.
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